Solucionática

Blog coletivo para compilação de jogos/atividades/problemas/exercícios e algumas elucubrações teóricas sobre Psicologia Cognitiva

Sunday, May 28, 2006

TUDO É RELATIVO

Será que tudo é relativo, quando questões sobre a inteligência, tornam-se um assunto discutível?

Sobre inteligência e relatividade, vale-nos consagrar o grande físico Albert Einstein, que publicou em 1905 a Teoria da Relatividade. Sua produção que completou cem anos em 2005 revolucionou o pensamento científico, ao revelar teorias físicas, as quais consistem em que o tempo e o espaço são grandezas entre si, propiciando a dizer que a massa é equivalente à energia, que a luz é feita em partículas e que o átomo pode ser partido, liberando uma energia gigantesca, sendo esta última descoberta, um pontapé para a invenção da bomba atômica.

Contudo, Einstein é lembrado é considerado como uma das maiores personalidades de todos os tempos, e suas contribuições à física são, impreterivelmente, cobradas em processos seletivos, o que nos leva a pensar que as teorias de Einstein somam-se a grandes conhecimentos dos quais, o pré-vestibulando, certamente tem que aprender e que, diante de uma sociedade tão seletiva, aquele que mais obtiver conhecimentos em física, matemática, lingüística ou biologia, é o que ganhará grandes méritos como sendo “inteligente” ou “o melhor”.

Mas, a discussão é: até que ponto a inteligência é medida?

Se, os nossos processos seletivos consideram inteligentes aqueles que, entre outras disciplinas, desenvolvem bem a física e, conseqüentemente as teorias de Einstein, então seria válido pensar que Einstein era inteligente?

Parece-nos óbvia a resposta de que com certeza Einstein era um “superdotado” ou um dos maiores gênios do século passado. Mas será que ele desenvolvia-se bem longe dos cálculos ou que, sempre foi assim, considerado um grande homem?

Contudo, até mesmo a inteligência é relativa? É intrigante pensar que em sua carreira, longe dos cálculos, Einstein era um homem comum. Uma das grandes curiosidades é que ele pronunciou suas primeiras palavras aos três anos de idade, seus pais chegaram a pensar que ele fosse autista ou tivesse uma deficiência mental. Na escola ele demorou a escrever. Um dos seus professores chegou a predizer que ele jamais teria êxito profissional. De fato, o primeiro emprego surgiu aos 23 anos e ainda assim, por indicação de um amigo de seu pai. Relativa ou não, a inteligência de Einstein não poderia ser suposta a tal modo, que ele fosse revolucionar as pesquisas científicas da atualidade e a nossa compreensão do Universo como um todo.

Thomas Harvey, da universidade de Princeton, nos EUA, chegou a roubar o cérebro do físico durante a autópsia, em 18 de Abril de 1955. Sua anatomia foi estudada as escondidas durante quatro décadas, mas o resultado surpreendeu, pois revelou que anatomicamente, o gênio não era muito diferente da maioria dos mortais.

Mas o que explica o fascínio que o físico alemão exerce sobre a humanidade vai além. Quando a Teoria da Relatividade foi publicada, começaram a surgir os famosos testes de Coeficiente de Inteligência (QI). Não há nenhum relato de que Einstein tenha se submetido ao teste, mas estima-se que seu QI compreendia a marca dos 130, o que é considerado baixo, se acaso fizéssemos um comparativo com o que é testado com o desempenho que Einstein certamente apresentava.

Entretanto, com a evolução dos tempos e das ciências ficou claro que o ser humano possui potenciais, aptidões e capacidades singulares, e o antigo conceito de QI cedeu lugar a diversas teorias, entre elas está as das “Inteligências Múltiplas” de Howard Gardner, uma abordagem integrativa da inteligência, que compreende a inteligência não como sendo um construto isolado, ou seja, única, e sim como um conjunto de várias aptidões, habilidades, interesses, conhecimentos, sentimentos, intuições, atitudes, habilidades, escolhas e práticas do dia-a-dia.

Gardner apresenta sete inteligências distintas que são relativamente independentes umas das outras: Inteligência lingüística, lógico-matemática, espacial, musical, cinestésico-corporal, interpessoal, intrapessoal.

Einstein certamente desenvolvia muito bem a Inteligência lógico-matemática, usada para resolver problemas matemáticos e para o raciocínio lógico. No entanto, vale lembrar que as inteligências, embora sejam separadas, agem de forma integrada, ou seja, Einstein utilizava-se também de uma inteligência lingüística, pois precisa sintetizar suas idéias e elaborá-las em forma de Teoria, ao mesmo tempo em que compreendia suas palavras faladas. Ainda podemos considerar certa Inteligência espacial, quando Einstein precisa relacionar espaço e tempo, trabalhando com a visualização de arranjos de átomos. Entretanto, entre outras Inteligências, a menos usada seria a cinestésico-corporal, pois jamais tivemos relatos de que Albert Einstein tivesse aptidões para dançar ou ainda, praticar esportes.

Esta nova visão sobre a inteligência, transformou as relações, abrindo um leque de possibilidades para a valorização dos potenciais, como as mudanças no mercado de trabalho, evoluções nas áreas tecnológicas, e também abriu espaço para uma nova concepção em relação ao ser humano, inclusive deixando de ser rotulatória e classificatória (deficientes, normais ou superdotados), trazendo à tona o quanto cada pessoa carrega em si potenciais que antes não eram valorizados.

Um outro fator, igualmente importante da teoria das “Inteligências Múltiplas” está no fato que ela contribuiu para reflexões a cerca da tendenciosidade, fatores construídos pelas sociedades, ou seja, fatores que grupos dominantes consideram desejáveis: falar bem, resolver problemas com facilidades, apresentar facilidade para aprender determinado assunto, salientando as diferenças entre gêneros, raças, culturas, crenças, ou seja, Gardner contribuiu para que reafirmemos que, como Einstein, todos os seres humanos são capazes de se superarem, sem ter que provar nada a ninguém, e principalmente, descobrirem que não faz sentido existirem problemas de auto-estima, sendo que todos têm oculto potenciais que às vezes nem têm conhecimento.

Por fim, podemos dizer que a inteligência é relativa. Relativa à história familiar, às aptidões de cada pessoa, e principalmente, relativa à cultura determinante de cada região.


Artigo elaborado por:
Alzira Barboza e Priscila Gotardo

3 Comments:

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