Solucionática

Blog coletivo para compilação de jogos/atividades/problemas/exercícios e algumas elucubrações teóricas sobre Psicologia Cognitiva

Sunday, June 11, 2006

Einstein e as inteligências múltiplas

Atualmente, na sociedade em que vivemos, estamos sendo avaliados a todo momento de alguma maneira, seja no colégio, na faculdade, no trabalho, ou mesmo no próprio ambiente familiar. E um dos requisitos que mais avaliamos é a inteligência. Porém, o que é ser inteligente? É tirar boas notas no colégio? Ir bem num concurso público? Ter um bom emprego? Ou simplesmente “se dar bem na vida”?
Um bom exemplo que podemos citar é o caso de Albert Einten, considerado um dos maiores físicos do século XX, e que em sua idade escolar foi considerado um mau aluno.
Einsten nasceu em Ulm, pequena cidade do Sul da Alemanha no dia 14 de abril de 1879. Desde muito cedo, começou a enfrentar o autoritarismo da escola alemã e os preconceitos raciais da época. Já demonstrava aptidão para atividades individuais como construir castelos com peças. Aos 7 anos conseguiu compreender o teorema de Pitágoras. No entanto, tinha grandes dificuldades nas atividades que exigiam capacidade de memória como história e geografia, chegando ao ponto de seus familiares acreditarem que ele tinha algum tipo de dislexia.
Einsten tinha poucas lembranças de sua infância e adolescência por ter sido reprimido por seus professores, tanto na escola primária, quanto no ginásio. Chegou a ser julgado por um professor, ao dizer que ele jamais serviria para alguma coisa.
Apesar de demonstrar um excelente aprendizado em física e matemática, aos 15 anos ele decide entrar para a Universidade, e é reprovado nas matérias de botânica, zoologia e línguas modernas. Assim, aos 16 anos ele entra para a escola Cantonal e começa a formular perguntas que nem seus professores sabiam responder. Nesse caso, podemos considerar Einsten “burro” por não apresentar um bom desempenho em algumas matérias escolares?
Hoje uma das teorias mais influentes em relação à inteligência é a do psicólogo e professor norte-americano Howard Gardner. Gardner questionava a visão tradicional de inteligência, que enfatizava as habilidades lingüísticas e lógico-matemática, e assim desenvolveu a Teoria das Inteligências Múltiplas, que propõe que a inteligência não é exatamente um constructo isolado, unitário. Essa teoria desenvolvida principalmente entre 1983 e 1993, acredita que o ser humano apresenta 7 inteligências distintas, cada uma com um sistema individual de funcionamento. São elas: Inteligência lingüística, lógico-matemática, espacial, musical, cinestésico-corporal, interpessoal e intrapessoal.
Na sua teoria, Gardner coloca que todos os indivíduos, em princípio, têm habilidades de questionar e procurar respostas usando todas as inteligências. Todos os indivíduos possuem como parte de sua bagagem genética, certas habilidades básicas em todas as inteligências. A linha de desenvolvimento de cada inteligência, no entanto, será determinada tanto por fatores genéticos e neurobiológicos quanto por condições ambientais. Ele propõe ainda, que cada uma dessas inteligências tem sua forma própria de pensamento, ou de processamento de informações, além de seu sistema simbólico.
Por essa teoria vemos que Einsten tem uma inteligência muito bem desenvolvida que é a lógico-matemática, ou seja, é um excepcional prodígio matemático e físico, pois suas descobertas foram e continuam sendo valiosíssimas para as várias áreas do conhecimento. Essa inteligência permite que a pessoa resolva problemas de uma maneira muito rápida, criando numerosas hipóteses. Assim, a solução do problema pode ser construída antes de toda sua inteligência.
Segundo Gardner, os componentes centrais da inteligência lógico-matemática, são descritos como uma sensibilidade para padrões, ordem e sistematização. É a habilidade para explorar relações, categorias e padrões, através da manipulação de objetos ou símbolos, e para experimentar de forma controlada, é a habilidade para lidar com séries de raciocínios, para reconhecer problemas e resolvê-los. E assim como Einsten, crianças com especial aptidão nessa inteligência demonstram facilidade para contar e fazer cálculos matemáticos e para criar notações práticas do seu raciocínio.
Para Gardner, pessoas assim possuem regiões distintas ou módulos cerebrais que funcionam de uma maneira muito bem elaborada e para cada inteligência há uma região. É claro, que existem pessoas que possuem várias regiões cerebrais funcionando em conjunto, pois esses sistemas podem interagir, a fim de produzirem o que consideramos um desempenho inteligente.
Einsten, apesar de toda sua inteligência foi excluído por muitos professores que não sabiam proporcionar-lhe atividades relativas ao seu desempenho. Não adiantava eles tentarem fazer Einsten decorar um texto, pois ele não tinha habilidade bem desenvolvida para tal. Ainda hoje, esse problema afeta nossa educação, os professores não estão capacitados a perceber o diferencial de inteligência nos seus alunos, fazendo mau uso das capacidades individuais dos mesmos.
Enfim, Gardner define inteligência como habilidade para resolver problemas ou criar produtos que sejam significativos em um ou mais ambientes culturais.
Agora, podemos concluir que não há pessoa mais ou menos inteligente, apenas existem inteligências diferentes, o importante é descobrir e saber desenvolver a sua.

0 Comments:

Post a Comment

Links to this post:

Create a Link

<< Home