Solucionática

Blog coletivo para compilação de jogos/atividades/problemas/exercícios e algumas elucubrações teóricas sobre Psicologia Cognitiva

Saturday, June 10, 2006


A nova escola

Quem nunca se perguntou qual a importância da escola? Essa pergunta parece sempre tão simples de se responder, a importância da escola está no fato de que ela capacita o indivíduo a viver melhor. Certo? Mas como explicar casos como os de Gilberto Dimenstein e Rubem Alves, descritos no livro “Fomos Maus Alunos”?

A escola, por vezes, é traumatizante, faz com que a pessoa se sinta inferior aos outros, só porque não foi bem nas provas. Mas será que essa nossa escola é realmente um bom caminho para se aprender sobre a vida?

Um consenso, é que a escola é necessária, mas também é sabido que ela precisa de reformas.

Gilberto e Rubem se auto declaram maus alunos, mas notavam em si, outras aptidões, ambos demonstram no livro “uma curiosidade insaciável pelas coisas da vida, pelos objetos do mundo que nos cerca”, a curiosidade, para eles, é a potência, para que todos tenham o desejo de aprender. Os autores, que hoje são pessoas de sucesso, que obtiveram êxito no que fazem, declaram que a escola nunca os entusiasmou, Rubem conta que sua curiosidade por descobrir sempre foi tanta que quando criança desmontou um relógio de sua mãe para descobrir como este funcionava, para ele a escola deve esclarecer como as coisas "funcionam" na prática e ensinar a manipulá-las. Para eles a escola “mata” a curiosidade.

Os autores também relatam, a descontextualização da escola com o “mundo real”. Na época deles, enquanto aconteciam guerras, revoluções, novas descobertas, na cartilha, eles estudavam “vovô viu a uva”!

Durante anos Gilberto ouvia que não era apto para nada, que era um indivíduo menor, mas quando sua curiosidade (paixão) despertou ele se viu apto para enfrentar tudo que lhe era imposto, ele podia produzir o conhecimento. O que dava auto-estima para eles eram alguns autores como Einstein, Mozart, Carlos Drummond de Andrade que eram considerados maus alunos, mas que inverteram a situação e conseguiram desenvolver um novo conhecimento, tendo sucesso no que faziam. Pois o ato de gostar do que se faz esta relacionado com o conhecer e esse por sua vez, está ligado a curiosidade, que não deixa de ser paixão!

E por que, a curiosidade, ou paixão, ou fazer o que se gosta é tão importante?

Para Piaget, importante pesquisador do desenvolvimento cognitivo, o objetivo da educação é criar indivíduos capazes de fazer coisas novas e não somente replicar o que já é conhecido, e é isso que pedagogos, psicólogos e professores vem tentando fazer, como Sternberg salienta um ambiente motivador estimula a criatividade, que surge da confluência das habilidades listadas por este famoso psicólogo cognitivista, as habilidades são: (1) sintética, saber perceber os diversos ângulos possíveis de um problema; (2) analítica, que consiste em saber “escolher” as idéias que surgem; (3) prática-contextual, reconhecer e ter suas idéias reconhecidas pelos membros de sua sociedade. Então podemos concluir que é necessário que a sociedade forme indivíduos criativos para que a educação cumpra seu propósito.

É necessário que a escola comece a estimular e considerar como importante o que a sociedade considera, o mercado de trabalho exige cada vez mais dos profissionais criatividade, pois essa permite que o indivíduo tenha um leque maior de opções para decidir de forma inteligente a resolução dos problemas que se apresentam cotidianamente.

A nova escola deve ensinar o indivíduo a aprender, estimular a curiosidade e a autonomia de seus alunos; a curiosidade faz com que se use todos os meios disponíveis, preste atenção em todos os sentidos para descobrir o que está acontecendo.

Então podemos considerar que a curiosidade move o indivíduo a buscar novas experiências, a relacionar-se com o meio, e assim buscar novas soluções para antigos problemas.

Para Sternberg, a inteligência está intimamente ligada com a criatividade, e essa muitas vezes é "morta" na escola, simplesmente porque ela não segue as regras, o que tem se proposto para a escola na atualidade é uma reforma que justamente supra essa carência, não afaste as pessoas, nem crie traumas ou preconceitos, e não só nas crianças, mas também nos adultos, que também precisam dessa nova escola.




Elaborado por:
Maria Olinda Maia,
Patrícia Soares e
Priscila Abreu.

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